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sábado, 1 de abril de 2017

HENRIQUE ALVES DA CUNHA MAGALHÃES

1900 - 2004

Às 6 horas do dia 2 de julho de 2004, retornou ao mundo espiritual, estando para completar 104 anos de uma existência toda dedicada à caridade, o Espírito de nosso muito querido companheiro Henrique Magalhães.

Seu corpo foi velado, durante o dia 2, na sede da Instituição Maria de Nazareth – Casa da Mãe Pobre -, na Rua Frei Pinto, 16, para onde afluiu uma legião de amigos e de beneficiários de sua abençoada obra, ocasião em que a Casa de Ismael se fez representar por seu Diretor Lauro de O. São Thiago e pelo ex-Presidente Juvanir Borges de Souza.

O enterro se deu no dia seguinte, sábado, no Cemitério do Parque da Colina, em Niterói (RJ), ali comparecendo, em nome da Federação, o Diretor Affonso Soares, que se associou, com breve alocução, às tocantes homenagens que lhe foram prestadas.

Henrique Alves da Cunha Magalhães nasceu em 4 de dezembro de 1900 (quatro meses após o passamento de Bezerra de Menezes), na Freguesia dos Telões, Conselho de Amarante, Distrito do Porto, em Portugal, filho de Manoel Alves da Cunha Magalhães e de Ana Augusta da Cunha Coutinho. Aos 12 anos de idade, na companhia de um casal de primos de seu genitor, embarcou para o Brasil, chegando ao Rio de Janeiro em 11 de novembro de 1912. Até 1920, trabalhou arduamente no comércio para ganhar o pão de cada dia, mas as sequelas da “gripe espanhola”, contraída em 1919, obrigaram-no a retornar à casa paterna. Durante a viagem a enfermidade cedeu por completo, e Henrique após visitar os pais, regressou ao Brasil, onde se estabeleceu definitivamente.

 Em 1931, adoeceu novamente, e fixou residência em Teresópolis, onde grassava uma epidemia de meningite. Com a filha mais nova atingida pela terrível enfermidade, Henrique, vendo-a piorar apesar dos desvelos do médico, aceitou a sugestão de obter uma receita homeopática dos Espíritos, não obstante sua aversão ao Espiritismo. Operou-se a “milagrosa” cura e Henrique começou a estudar O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, compreendendo o quanto andava distanciado de Jesus.

Em 1937, o Alto, através do Espírito Dr. João de Freitas, exortou-o a que, juntamente com outros idealistas, empreenda a fundação, em 1941, da benemérita Instituição Maria de Nazareth – Casa da Mãe Pobre, que passou a dirigir, desde quando, em 1946, substituiu seu primeiro Presidente, o Dr. Coriolano de Góis, falecido naquele ano. Sob sua condução, as atividades da Instituição, inspiradas no amor da Mãe Santíssima, expandem-se sob a forma de serviços assistenciais de diversa natureza, prestados em Teresópolis – Creche e Lar Isabel a Redentora, Mansão dos Velhinhos, Grupo Escolar Isabel a Redentora, e no Rio de Janeiro – Hospital Maternidade e Ambulatório Dr. João de Freitas, Abrigo Sylvia Penteado Antunes e Lar Lucílio Ribeiro Torres, Creche Marieta Navarro Gaio.

Com o magnetismo das almas que tudo sacrificam pelo bem do próximo e que confiam absolutamente na Providência Divina, sem se descuidarem de cumprir os deveres que lhes asseguram os favores celestes, Henrique Magalhães, não obstante desprovido de grandes recursos, atraiu para a sua benemérita obra o concurso de devotados idealistas, assim assegurando, com o indispensável sustento do Alto, a continuidade de um serviço digno do venerando Espírito que o havia inspirado – Maria de Nazaré, a Mãe de Jesus.

O querido companheiro ainda encontrava tempo, em meio a uma intensa atividade, para escrever livros com que edificasse as novas gerações e as atraísse para a Seara do Mestre, tendo saído de sua pena as obras A Casa da Mãe Pobre – 50 anos de Amor, em 1991; Como Fundar e Manter Obras Assistenciais, 1995; Em Prol da Mediunidade – Pequena História do Espiritismo, 1998.

A Conferência Espírita Brasil-Portugal (16 a 19/3/2000) prestou-lhe sentida homenagem, por ocasião do seu centenário de nascimento, quando, por iniciativa de Francisco Bispo dos Anjos, a Federação Espírita do Estado da Bahia publicou um folheto em que, entre outros textos, figuram dados biográficos de nosso homenageado. Também a Federação Espírita Brasileira, em júbilo pelo grato evento, dedicou-lhe, em O Reformador de novembro daquele ano, o artigo “Henrique Magalhães no seu Centenário”, de cujos informes biográficos nos servimos para a presente notícia.

Henrique Magalhães sempre foi um inestimável amigo da Federação Espírita Brasileira, tendo colaborado para a construção da Sede Central, em Brasília (DF), e do Departamento Gráfico, no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro (RJ), para não falar do serviço silencioso e fiel, de todos os dias, em prol dos ideais que norteiam os destinos da Casa de Ismael na Terra. Foi membro de seu Conselho Fiscal durante vinte anos, membro de seu Conselho Superior desde 1975 e representante do Ceará no Conselho Federativo Nacional, de 1951 a 1985.

Já no fim de sua existência, Henrique Magalhães, carregando as naturais limitações que a idade lhe impunha, afirmava feliz: “E continuo trabalhando, com a graça de Deus”, com que oferecia a seus irmãos de lutas terrenas uma profunda lição de bom ânimo e de perseverança no bem.

Agora, liberado do cárcere físico, no pleno uso de sua liberdade espiritual e animado pelo mesmo ideal a que consagrou a sua vida inteira, nosso irmão certamente terá reafirmado, tanto às legiões luminosas que o aguardavam nas regiões felizes do mundo espiritual, como aos pequeninos aos quais serviu com o seu inquebrantável amor, o compromisso com Jesus, dizendo-lhes: “E continuarei trabalhando, meus irmãos, sempre com a graça de Deus!”.

Deus o ilumine e ampare, Henrique Magalhães, caro Irmão e Companheiro de Ideal Espírita, são os votos sinceros de todos os que na Terra pudemos desfrutar de sua amizade, de sua generosidade, de seu amor fraternal!


Fonte: Biografias Espíritas – Imagem: Internet Google.

quarta-feira, 1 de março de 2017

HEITOR PINTO DA LUZ E SILVA

1879 – 1949

Nasceu no dia 1º de dezembro de 1879, em Florianópolis, Capital do Estado de Santa Catarina. Realizou os seus primeiros estudos em sua terra natal, onde colou grau em Bacharel de Ciências e Letras. Posteriormente estudou no Rio de Janeiro, diplomando-se em Farmácia e Química, no ano de 1900.

Foi professor da Escola Normal de Florianópolis, dedicando toda a sua vida ao magistério, lecionando e dirigindo várias Escolas e Faculdades em Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. Foi membro da Academia Nacional de Medicina e Academia Nacional de Farmácia, Associação Brasileira de Farmacêuticos e da Associação Brasileira de Imprensa e da Associação dos Jornalistas Profissionais. Publicou vários livros didáticos e uma revista sobre produtos farmacêuticos e química.

Heitor Pinto da Luz, espírita e convicto, foi um dos diretores da Federação Espírita Catarinense, exercendo os cargos de Secretário e Vice-Presidente. Diretor da revista “A Luz”, órgão doutrinário daquela Federação e colaborador assíduo de “Reformador”, órgão da Federação Espírita Brasileira. Tendo ainda colaborado de forma marcante em várias revistas e jornais espíritas nacionais e internacionais.

A posição privilegiada nos meios sociais, granjeada pelo seu valor cultural, não o ofuscou, permanecendo simples, humilde e bom. Teve atuação marcante no campo da assistência aos necessitados, socorrendo, ajudando e enxugando lágrimas.

A sua desencarnação ocorreu no Rio de Janeiro, no dia 6 de fevereiro de 1949. Por ocasião da “XI Convenção Brasileira de Farmacêuticos”, realizada em 24 de janeiro de 1959, foi-lhe prestada uma homenagem póstuma, pelo amor e dedicação à causa farmacêutica no Brasil.


Fonte: Biografias Espíritas – Imagem: Internet Google.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

SARAH MORAIS

1888 – 1932

Nascida no dia 13 de julho de 1888, na cidade de Uruguaiana, estado do Rio Grande do Sul e desencarnou em 11 de julho de 1932. Foram seus pais Godofredo Velloso da Silveira e D. Bernardina Silveira.

Consorciou-se com Josefino da Silva Morais, cujo matrimônio durou 28 anos e do qual tiveram filhos. Para os seus irmãos, em número de oito, sempre dispensou carinho, amparo e sustentação, visto ser a irmã mais idosa da família.

Esposa, filha, irmã e amiga, sua dedicação era uma perene demonstração do elevado grau de espiritualidade assumido, a tudo atendendo com a máxima solicitude e altruísmo.

Em todos os seus atos, mesmo nos mais singelos, deixava transparecer a grandeza de sua alma de escol, não permitindo que seus gestos de abnegação fossem enaltecidos ou mesmo percebidos por aqueles a quem servia, pois se considerava obrigada a dar de si, sem que lhe devessem gratidão ou reconhecimento.

Tornando-se espírita, encontrou dentro da Doutrina as mais belas e elevadas oportunidades de servir ao próximo, servindo dessa forma ao nosso Pai Celestial.

Fundando a Instituição Legionárias de Maria, na cidade do Rio de Janeiro a 5 de janeiro de 1928, sociedade de socorro à pobreza envergonhada, ela se tornou, para seus companheiros de lides espiriticas, o exemplo vivo do maior objetivo que o ser humano pode realizar na Terra: servir ao próximo, procurando despertá-lo para os surtos do progresso espiritual, não só através de palavras, mas com o exemplo nobilitante de atos de superioridade moral – amando muito, perdoando sempre, auxiliando o seu semelhante no lar, na comunidade espírita e em muitas e variadas fases da vida no mundo.

Envolvia a todos que dela se aproximavam na aura radiante de sua fé inquebrantável, incutindo-lhes a certeza da imortalidade da alma e da existência de um Pai que preside a todas as coisas, fazendo-o através de palavras penetrantes e esclarecedoras, fundamentadas no exemplo que sabia tão bem propiciar.

Apesar de bastante enferma e com o corpo minado por insidiosa moléstia que a consumia, subia religiosamente, todas as semanas, a ladeira de um hospital em Cascadura, para levar alento, conforto, esperança e fé a uma multidão de criaturas abandonadas, que jaziam no isolamento daquele nosocômio, prestes a abandonar a vida terrena.

Suas palavras, impregnadas de sinceridade e com base nos ensinamentos evangélicos, envolviam a todos os seres carentes de sustentação espiritual na hora da desencarnação. Quantas cenas edificantes e maravilhosas se passaram naquele ambiente de dor, esquecido pela maioria dos homens! Só Deus poderá julgar e avaliar o trabalho extraordinário dessa extraordinária mulher.

Desejosa sempre de ver o progresso do seu semelhante, incentivava muitas pessoas a comparecerem às explanações doutrinárias nas sessões de estudos do Centro Espírita “Fernandes Figueira”, em Todos os Santos, sob cujos auspícios foi criada a Instituição “Legionárias de Maria”, quando na sua presidência estava o confrade José Manoel Teixeira, já desencarnado.

Sarah Morais via em cada ser que socorria, em especial nas assistidas da Instituição, criaturas ligadas ao seu coração pelos laços espirituais e com imenso carinho dirige-as ao rebanho do Divino Pastor.

Possuía múltiplos dons mediúnicos, principalmente a psicografia, conseguindo receber quantidade apreciável de sonetos, poesias, quadras e mensagens que a todos enlevavam pelo cunho evangélico e espiritual que continham. Nos últimos anos de sua existência terrena, esqueceu-se totalmente de si, consagrando-se devotadamente ao serviço de amparo ao próximo.

Incompreendida, como acontece a todos os que tem algo de superior a realizar na Terra, foi objeto de censuras e críticas por parte daqueles que não podiam alcançar a sublimidade da missão que lhe coubera por partilha, em sua jornada terrena.

Jamais se queixava das dores físicas ou morais pelas quais passava, respondendo sempre quando inquirida: “Vou melhor do que mereço”. Desta forma passou por este mundo sem jamais dar qualquer demonstração de fraqueza, pois, mesmo em seu leito de dor ainda conseguia dispensar conselhos e orientação para todos aqueles que buscavam soluções para seus problemas íntimos.

No dia 11 de julho de 1932, desencarnou essa denodada seareira espírita deixando por escrito várias disposições que deveriam ser tomadas, dentre elas: não velarem o seu corpo que deveria ser costurado num lençol e sair do próprio quarto onde desencarnasse para o túmulo; não desejava preces pagas nem flores compradas, preferia que oferecessem os valores das mesmas para os pobres; que ninguém usasse luto, pois tinha a certeza plena de que uma nova vida a aguardava, onde poderia continuar as tarefas iniciadas na Terra, quando poderia concretizar seu sonho no infinito campo da caridade cristã.

Fonte: Autores Espiritas Clássicos
Fonte da imagem: Internet Google.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

SEBASTIÃO PARANÁ DE SOTTOMAIOR

1864 - 1938

O Dr. Sebastião Paraná nasceu em Curitiba, a 19 de novembro de 1864 e aí desencarnou a 8 de março de 1938, na residência de seu genro, Dr. Lauro Schleder. Era filho do Capitão Inácio de Sá Sottomaior e neto do Coronel de milícias do mesmo nome.

Casou-se com Elvira da Costa Faria Paraná, em 19 de dezembro de 1905. Não teve filhos.

Cursou as primeiras letras na Escola regida pelo Professor Miguel Schleder e o curso primário no Colégio Curitibano, sob a direção do Professor Nivaldo Braga.

Em 1883 matriculou-se no Instituto Paranaense. Fez os preparativos em Curitiba e se diplomou em Direito e em Ciências Políticas e Sociais, no Rio de Janeiro.

Viveu dilatados anos, sempre batalhador insone nas nobres lides do espírito. Geógrafo notável; publicou obras que representam o melhor que se possui na matéria. De sua lavra relacionamos: Esboço geográfico do Paraná (1889), Corografia do Paraná (1899), O Brasil e o Paraná (1925), Guia do comerciante (1909), Os Estados da República (1911), Exultação (1913), O alcoolismo e o jogo (1913), Galeria Paranaense (1922), Países da América (1922), Países da Europa (1926), Efemérides da Revolução de outubro de 1930 no Estado do Paraná (1931).

Sua obra O Brasil e o Paraná alcançou um número expressivo de edições, nunca antes registrado na bibliografia local. Em 1941, apareceu a 22ª edição.

Como professor, foi mestre querido e venerado por muitas gerações paranaenses que lhe aproveitaram a competência e talentos.

A 18 de abril de 1900, foi nomeado professor catedrático de Geografia e Corografia do Brasil, no Ginásio Paranaense e Escola Normal de Curitiba.

Em 1906, regeu, interinamente, a Cadeira de História Universal no Ginásio Paranaense. Em 1916, exerceu, interinamente, a Superintendência Geral do ensino. Desse ano, até 1920, foi Diretor do Ginásio Paranaense.

Foi Professor da Universidade Federal do Paraná.

Como homem público, cruzou altos cargos com descortínio e austeridade. Cidadão, não sabia fazer inimigos. Não deu guarida aos sentimentos mesquinhos da desafeição.

Pelo decreto 29 de 22 de fevereiro de 1928, foi nomeado Diretor da Secretaria do Interior e Justiça do Paraná, tendo se exonerado, então, da cátedra que luminosamente prelecionara quase 30 anos.

Por motivo de saúde, em 1930, a pedido, foi transferido para a direção do Museu Paranaense e Biblioteca Pública do Paraná, onde foi aposentado pelo Decreto 774, de 2 de abril de 1931.

Alcançou a patente de Capitão da Reserva do Exército Nacional, tendo servido como praça, de 6 de setembro de 1893 a 13 de março de 1894, no Batalhão Patriótico Benjamin Constant.

Foi Deputado no Congresso Legislativo do Paraná, na legislatura 1902/1903. Pertenceu à Comissão de Instrução Pública, revelando-se incansável em zelos e iniciativas, em prol dos interesses da educação popular.

Fez parte do Conselho Superior do Ensino Público no Paraná. Em 1905, foi nomeado, por indicação do Governo do Estado, agente auxiliar do Arquivo Nacional, no Paraná.

Integrou a Comissão encarregada de receber trabalhos para o Congresso Internacional de História da América, sendo nomeado para, ao lado de Rocha Pombo, Dario Vellozo, Nestor Victor e Romário Martins, representar o Paraná no magno certame.

Pertenceu ainda ao Centro de Letras do Paraná e Academia de Letras do Paraná. Sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, do Instituto Geográfico Argentino, da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Como jornalista foi Diretor do Jornal A Tribuna, Redator de A República e de O Município.

Foi fundador da Federação Espírita do Paraná, em 24 de agosto de 1902, junto a outros homens valorosos e foi seu primeiro Presidente eleito, após a aprovação do Estatuto Social, em 4 de outubro de 1903. Permaneceu no cargo, por reeleição, até 13 de janeiro de 1907.

Também foi na Federação Espírita do Paraná - FEP, Membro da Comissão Central de 2 de agosto de 1908 a 18 de julho de 1909 e de 13 de janeiro de 1918 a 1919.

Ocupou ainda o cargo de Diretor do Núcleo Central, Diretor da Caixa Escolar e de Estudos Doutrinários.

Escreveu o livro Vade-mecum (Preces e ensinos espíritas), editado pela FEP, em 1929-1930.

Modesto e amável, foi dos que muito trabalharam pelo engrandecimento do torrão nativo.

Honesto e sincero, só amizades conquistou.

Dois anos antes de sua morte, as alunas da Escola Normal deliberaram manifestar publicamente sua gratidão àquele que escrevera Os Estados da República e Países da América.

Nos jardins do modelar educandário foi, a 19 de novembro de 1936, inaugurado o baixo-relevo do perfil do Professor Sebastião Paraná, um magnífico bronze de J. Turim, encravado na pedra, e que se encontra à entrada do edifício, como símbolo singular proclamando a gratidão da mocidade.

Retido ao leito, nos últimos anos de sua vida, Sebastião Paraná, ainda assim arrostou sereno os amargores da moléstia que cruelmente o imobilizava.

Morreu a 8 de março de 1938. Seu sepultamento se deu no Cemitério Municipal de Curitiba. Discursaram à beira do túmulo: Porto Vellozo, pelo Instituto Neo-Pitagórico; Veríssimo de Souza, pela Loja Maçônica Fraternidade Paranaense; Raul Gomes, pela Imprensa Curitiba; Heitor Stockler, pela Academia Paranaense de Letras e Centro de Letras do Paraná; Lourenço de Araújo, em nome de diversas associações operárias.

Curitiba prestou sua homenagem, dedicando-lhe uma rua com o nome de Professor Sebastião Paraná e, em edição do Jornal Gazeta do Povo (Curitiba), em 19 de março de 1967, em coluna denominada "Vultos", junto com sua biografia, consta uma série de considerações sobre sua personalidade, dizendo ter sido ele sempre elogiado, não só pelo exemplar comportamento, como pela aplicação, e que ele, sendo modesto e amável, muito contribuiu pelo engrandecimento do torrão natal.


Autor Desconhecido. Fonte do texto e imagem: Internet Google.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

SEBASTIÃO LASNEAU

1900 – 1969

Nascido em Barra de Piraí, Estado do Rio de Janeiro, no dia 12 de novembro de 1900 e desencarnado na mesma cidade, no dia 30 de março de 1969.

Sebastião Lasneau era poeta, repentista e trocadilhista, fazia versos de improviso e qualquer motivo lhe sugeria um tema. As “Semanas Espíritas” de várias cidades dos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e outros, não estavam completas sem a sua presença.

Dava expansão à rima e ao ritmo, registrando sempre a presença dos confrades espíritas em quadrinhas que recitava com muita verve. Seus pais foram Evilásio Antônio Lasneau e Etelvina Santos Lasneau.

Iniciou sua vida profissional trabalhando em algumas empresas existentes nas cidades de Paracambi e Mendes (Estado do Rio de Janeiro), passando posteriormente a trabalhar na Estrada de Ferro Central do Brasil, onde permaneceu durante cerca de vinte anos, aposentando-se por invalidez.

Nessa ocasião exercia as funções de cabineiro na Estação de Sant Ana da Barra.

Lasneau casou-se em primeiras núpcias com Augusta Dias Lasneau e com ela conviveu durante cerca de sete anos, quando inesperadamente ficou viúvo, com dois filhos em tenra idade.

Algum tempo depois, casou-se, em segundas núpcias, com Olívia Lasneau, que se tornou mãe carinhosa para seus filhos e esposa dedicada durante trinta e seis anos.

Nenhum de seus biógrafos registrou o motivo pelo qual ele se tornou adepto do Espiritismo.

Consta que, em 1944, ingressou no quadro social do Grêmio Espírita de Beneficência de Barra do Piraí, a cuja instituição dedicou a maior parte de sua vida.

Foi eleito seu presidente na gestão de 1954, e vice-presidente em 1955, tendo cedido à causa espírita, todo o tempo que tinha disponível.

Passou por uma expiação dificílima: atacado de glaucoma, perdeu completamente a visão. Era diabético e sofria horrivelmente do fígado. Teve polinevrite com dores lancinantes causadas pelo glaucoma. Acometido de todas essas enfermidades, jamais lamentava-se, rogando sempre a Deus para que lhe concedesse forças para lutar por um mundo melhor.

Lançou mãos de todos os recursos que a Medicina da época lhe facultava, sem qualquer resultado positivo.

Por fim, a conselho de amigos, foi a Caratinga (Minas Gerais), e, na Fazenda Eureka, de propriedade de confrades, submeteu-se a uma intervenção mediúnica, realizada por Espíritos materializados. Não conseguiu recuperar a visão, porém desapareceram todas as dores que sofria no globo ocular.

Além de poeta, foi excelente expositor de temas doutrinários do Espiritismo, tendo realizado apreciável tarefa no campo da divulgação doutrinária.

Proferiu grande número de palestras em instituições espíritas do Estado do Rio de Janeiro. Aproveitava sempre o trajeto de suas viagens para elaborar quadrinhas primorosas, com temas evangélicos e doutrinários, a fim de brindar o público ouvinte.

Teve sempre a melhor boa vontade para com os novos poetas, a todos ensinando, corrigindo e incentivando. Escreveu o jornalista Dr. Agnelo Morato, da cidade de Franca (SP), numa crônica estampada no jornal “A Nova Era”: “Foi extraordinário animador do movimento moço nas fileiras espíritas e seus versos representavam incontido estímulo e incentivo ao bom ânimo de todos os sofredores. Conhecia a matemática do tempo; na sua marcha milenar, vai pondo os dias sobre os dias, anos sobre anos, vida sobre vida, na sua eterna conta de somar. Todo ele se expande em ritmos e sonoridade, revelando fé raciocinada, consolações que obteve ao abeberar-se na fonte de sabedoria espírita, um dos nossos melhores poetas e prosadores”.

Com enorme dificuldade, conseguiu editar alguns livros de sua autoria, os quais tiveram os seguintes títulos: “Pôr do Sol”, “Versos para Eva Musa”, “Versos para a Mocidade”, “Poemas de Barra do Piraí”, “Espiritismo em Três-Rios”, “Cancioneiros da Fraternidade”, “Almas que Cantam” e “Quadras a Completar”.

Deixou ainda alguns livros inéditos, intitulados: “Roseiral de Luz”, “Eterna Canção”, “Poemas das Origens”, “Amizade Inter-Planos” e mais um sem-número de trabalhos, os quais, se colecionados, formariam outros tantos livros.

Sebastião Lasneau dedicou-se também no jornalismo. Foi redator de vários jornais, inclusive do “Jornal do Povo”, de Barra do Piraí. Escrevia crônicas e poesias, conforme se pode ver nas edições do jornal, referente ao ano de 1941.

Musicou alguns de seus versos e fez várias paródias espiritualizadas de músicas famosa da época, as quais eram muito cantadas nos movimentos de mocidade.

Foi autor do “Hino do Cinquentenário de Barra do Pirai”.

Foi patrono do Ginásio Estadual “São José”. Recebeu o título de cidadão Guaraniense, na cidade de Guarani (Minas Gerais).

Foi juiz de vários concursos de poesias, inclusive da 1ª CONJEB (I Confraternização de Mocidades Espíritas do Brasil), realizadas em Marília (Estado de S. Paulo), certame levado a efeito no ano de 1965.

Após a sua desencarnação, como homenagem póstuma, foi eleito Patrono do “Circulo dos Missivistas Amigos”, um movimento fraterno que promove a correspondência entre pessoas livres e encarceradas, em todo o Brasil.

Participou também de vários concursos, em jogos florais, realizados na cidade de Taubaté (SP), Nova Friburgo (RJ) e outras cidades, ganhando inúmeros certificados.

Sebastião Lasneau foi, portanto, um dos grandes vultos espíritas, cuja obra teve por cenário numerosas cidades do Estado do Rio de Janeiro e de outros Estados da região Centro-Sul do Brasil, fazendo-o através de uma participação efetiva e constante, em todas as grandes realizações que eram efetuadas em prol da divulgação da Doutrina dos Espíritos, tornando-se, por isso, uma personalidade querida e requisitada por todos.

Autor Desconhecido. Fonte do texto e imagem: Internet Google.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

ABIBE ISFER

1896 – 1986

Nasceu em 10 de fevereiro de 1896, na antiga capital federal – Rio de Janeiro. Seus pais Jorge Antônio Isfer e Shaid (Rosa) Antônio Isfer transferiram-se para a terra dos pinheirais, instalando-se, inicialmente, na Rua das Flores, onde hoje funciona a Casa Pernambucana. Por força das circunstâncias, mudaram para o Tietê, interior do Estado, mandando o filho para casa de parente, em Rio Negro (PR), onde fez seus estudos.

Mais tarde, seus pais instalaram-se com casa de comércio em geral, no bairro do Portão (em Curitiba), quando então servindo o exército, com 20 anos, consorciou-se, com Dona Ana Elvira Moletta, de cuja união advieram os filhos: Leony Isfer, Lizette Isfer, Alice Isfer, Jorge Laerte Isfer, Lysis Isfer (desencarnado), Luyr Isfer e Lício Isfer.

Guarda-livros formado dedicou-se, profissionalmente ao comércio, trabalhando, anteriormente (5 anos) como guarda-livros da Cerâmica Klentz, na Fazendinha e, posteriormente, com seu irmão Manoel Antonio Isfer (Marum) organizou uma cerâmica, na Vila Guaíra, que não obteve sucesso pela má qualidade do barro. Em 1938, então na Rua Voluntários da Pátria, 112, instalou-se com escritório no ramo securitário, atividade que exerceu até seus últimos dias. Foi representante de nove seguradoras, entre as quais a Home Insurance Company, na qual granjeou muita confiança e simpatia. Com membros da família pertenceu a Piratininga Cia. de Seguros Gerais e Cia. de Seguros Aliança Brasileira, com escritório na Praça Zacarias, em Curitiba.

No campo espírita, pode-se afirmar que a curiosidade pelas chamadas, na época, “experiências do corpo”, produzidas por sua esposa e amigas, aproximaram-no do Espiritismo.

Sua amantíssima esposa faleceu em 3 de dezembro de 1936, quando a primogênita completava 18 anos e a caçula contava com 3 anos apenas. Esposo dedicado (40 anos apenas, somava de idade) manteria a fidelidade esponsalícia assumida até o fim da existência terrena, dedicando-se, com extremado carinho e amor, aos filhos queridos, responsabilidades profissionais e à maravilhosa doutrina que abraçou.

Ligou-se à Casa Máter do Espiritismo em terras paranaenses, à qual durante mais de 4 decênios dedicou expressiva parcela de sua laboriosa vida, tendo sido um dos mais entusiastas e assíduos integrantes de seus órgãos diretivos. Companheiro de João Ghignone, Arthur Lins de Vasconcellos, Honório Melo e tantos outros, esteve presente com os mesmos à frente de todas as iniciativas pertinentes no campo doutrinário, em sua extensa rede de sociedades espíritas que lhe são adesas e, principalmente, ligado estreitamente a todas as obras sociais de natureza variada, como albergues noturnos, hospital psiquiátrico, colégio, creches-lares, etc. Foi, praticamente, membro permanente do Conselho Federativo da F.E.P.

Como vice-presidente, companheiro inseparável de João Ghignone em seus 45 anos de presidência, assumiu o primeiro posto em razão do desencarne do velho companheiro, em 8 de junho de 1978, sendo eleito em seguida para o período de fevereiro de 1979 a janeiro de 1981 para a presidência. Findo o mandato passa a integrar o quadro de Presidentes Honorários, ao lado de Arthur Lins de Vasconcellos.

Entretanto, a sua atividade pontificava no campo da mediunidade, mercê do coração totalmente voltado à caridade. Durante mais de 40 anos compareceu, diariamente, a sessões de receituário, passes e curas no velho casarão da F.E.P., hoje tombado como patrimônio histórico e transformado no centro espírita que leva o seu nome, num preito de justíssima gratidão, graças a iniciativa de seus antigos companheiros. Paralelamente, dava assistência mediúnica aos internos do Hospital Psiquiátrico “Bom Retiro”, que a solicitavam; pessoalmente, dirigia e dava assistência paternal com carinho e dedicação inexcedível às meninas do Lar Icléia; acompanhava atentamente as creches-lares, orientando as responsáveis pelos mesmos e doando-se às criancinhas. Sua residência estava sempre de portas abertas aos necessitados, não regateava às solicitações de atendimento. Assim como Minas Gerais teve o querido Eurípedes Barsanulfo, o Paraná, o inesquecível Abibe Isfer.

Desencarnou em 9 de abril de 1986

Fonte: OS GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA


Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sábado, 1 de outubro de 2016

ABEL GOMES

1877 – 1934

Nascido no dia 30 de dezembro de 1877, na antiga cidade de Conceição do Turvo, hoje cidade de Salvador Firmino, e desencarnado em Astolfo Dutra, também no Estado de Minas Gerais, no dia 16 de agosto de 1934.

Descendente de colonizadores portugueses, Abel Gomes se tornou um nome benquisto por todos e aureolado de grande respeito e admiração, projetando-se por todos os Estados brasileiros e mesmo ultrapassando fronteiras, para atingir países vizinhos. Apesar de ser um homem simples, pobre e doente, impôs-se ao preito dos seus contemporâneos, pois não apenas ensinava, mas dava sempre o exemplo. Como sociólogo e evangelizador ele soube viver os Evangelhos, propiciando o exemplo vivo daquele que, no dizer judicioso de Jesus Cristo, “toma do arado e não olha mais para trás”.

Abel Gomes tornou-se representativa figura do Espiritismo, divulgando os seus preceitos no seio das massas e conseguindo atingir pessoas de todos os níveis sociais. Dentre os livros espíritas que contribuíram para a sua conversão, situa-se “Depois da Morte”, de Léon Denis, entretanto, os profundos estudos por ele encetados fizeram com que adquirisse a fé raciocinada, preconizada por Allan Kardec e, portando essa fé inabalável, dedicou-se de corpo e alma ao serviço das novas ideias que passara a esposar.

Embora fosse pregador, esquivava-se sempre que podia da tribuna, preferindo espargir os seus ensinamentos pela palavra escrita, através de suas próprias produções literárias e poéticas, todas elas aureoladas de grande profundidade moral e espiritual.

Ficou impossibilitado de andar quando tinha apenas 25 anos de idade, pois foi acometido de pertinaz e progressiva paralisia que lhe imobilizou as pernas. Quase cego, nunca se deixou vencer pelas expiações e pelos duros golpes da adversidade. Em sua cadeira de rodas continuou a produzir como poucos; jamais esmoreceu, o seu dinamismo era inquebrantável.

Pobre de bens materiais, jamais alimentou desejos de enriquecer-se com o ouro da Terra, pois não desconhecia que a fortuna material é um bem transitório que Deus coloca nas mãos de suas criaturas.

Exerceu a profissão de contabilista em várias firmas comerciais. Devido à paralisia e dificuldades de locomoção começou a trabalhar em sua própria residência, como alfaiate e fotógrafo. As poucas horas de lazer que lhe restavam, dedicava-as à composição de músicas admiráveis, passando a ensinar as maravilhas do som a um pugilo de artistas-amadores. Também demonstrou nítidas qualidades de teatrólogo.

Embora não se tenha casado, foi pai adotivo de dois rapazes que se tornaram cidadãos prestativos e respeitáveis.

Abel gomes fez parte de um grupo de pioneiros do Espiritismo em Minas Gerais, entre os quais podemos citar João Ernesto, em Ubá; João Marcelino, na cidade de Pombas; Eurípedes Barsanulfo, em Sacramento; José Justiniano de Godoy e Jota Lacerda, em Cataguazes; José Alves Ferreira, Antônio Correntino e Franklin Teodoro dos Santos, em Araguari; e outros.

No ano de 1928, em companhia de outros denodados seareiros, fundou o Grupo Espírita Luz e Trabalho, no antigo Porto de Santo Antônio, instituição que teve vida efêmera. No dia 2 de julho de 1933, coadjuvado por outros doze espíritas, fundou novo Centro Espírita, dando-lhe o nome do primeiro. Após a sua desencarnação essa instituição passou a chamar-se Cabana Espírita Abel Gomes. Posteriormente, os seus continuadores lançaram à publicidade o jornal “Arauto da Fé” e implantaram a Fundação Espírita Abel Gomes, que passou a amparar 30 crianças.

Exegeta de grandes recursos, Abel Gomes esmerava-se na interpretação de textos bíblicos, impregnando, com os lampejos do espírito que vivifica, vários ensinamentos contidos no Velho e no Novo Testamentos. Frequentemente apelava para os acontecimentos da vida prática, explicando-os à luz da Doutrina Espírita, o mesmo fazendo com as parábolas e ensinos de Jesus Cristo. A sua maneira preferida de ensinar era através do exemplo dignificante.

Na qualidade de professor, exerceu o magistério nas cidades de Cataguazes e Vicosa, lecionando português e matemática. Foi um autêntico autodidata, não tendo cursado nenhuma Faculdade e nunca se matriculou num ginásio. A primeira vez em que entrou num desses estabelecimentos, foi para ensinar aquilo que já havia aprendido. Foi um homem dotado de sólida cultura e de incomparável senso humanístico.

Poliglota, dominava bem o português, o francês, o castelhano, o italiano e conhecia razoavelmente o grego e o latim. Foi também um dos pioneiros do Esperanto em nosso país, e consta que foi o primeiro a lançar uma gramática para o ensino desse idioma internacional.

Abel Gomes foi um homem de letra, tendo deixado numerosas obras ocultas no anonimato ou encobertas por pseudônimo (entre os quais o de Jota Ubirajara). Escreveu obras notáveis entre as quais “Braz Pires”, “A Felicidade”, e “Pérolas Ocultas”. Prestou inestimável colaboração a publicações brasileiras e portuguesas.

Foi um poeta de grandes recursos. O seu gênero era o lírico, deixando extravasar a sua alma em cânticos maravilhosos, abordando problemas humanos, patrióticos e religiosos, esses últimos com fundamento nos sadios ensinamentos da Codificação Kardequiana. No seu magistral poema “A Dor”, traduziu a sua conformação aos ditames do Alto, compenetrado que era das razões dos sofrimentos que o assolavam.

Abel Gomes foi, portanto, um dos mais autênticos espíritas dos últimos tempos e o Espiritismo muito lhe deve pelo seu inestimável trabalho em favor da sua divulgação, principalmente no Estado de Minas Gerais.


Fonte: OS GRANDES GIGANTES DA DOUTRINA ESPÍRITA

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

ROBERTO PEDRO MICHELENA

1901 – 2001

O último dos signatários do Pacto Áureo, desencarnou no dia 5 de fevereiro de 2001, seis meses antes de completar 100 anos de idade.

Nasceu no dia 4 de agosto de 1901, em Porto Alegre, onde ocorreu o óbito. Foi casado com D. Maria Michelena (D. Ceci), que lhe precedeu à Espiritualidade. Tiveram 3 filhos: Maria Tereza, Paulo e Isolda, esta última já desencarnada.
Roberto Michelena foi destacado seareiro espírita. Em 1930, ainda no posto de Primeiro Tenente, cursava o Instituto Militar, no Rio de Janeiro, quando conheceu Manoel Quintão, vice-presidente da FEB, nascendo entre ambos uma grande amizade. Retornando a Porto Alegre, filiou-se à Sociedade Espírita Allan Kardec.

Em 1937, pela portaria governamental, foi fechada a Federação Espírita Brasileira. A mediunidade, os passes e as consultas mediúnicas estavam proibidos. Uma plêiade de grandes nomes do Espiritismo saíram a campo em defesa da causa. Diversos diretores da FEB, entre eles o presidente Dr. Guillon Ribeiro e Manoel Quintão, aproveitaram a estada do então Capitão Roberto Michelena no Rio de Janeiro, delegando-lhe a missão de procurar o chefe de Polícia, juntamente com Rocha Garcia. Quatro dias depois a FEB estava liberada.

Fez brilhante carreira militar até 1952, quando foi transferido para a Reserva, no posto de General de Divisão.

Como espírita, prestou os mais edificantes serviços: foi presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul, de 1941 a 1947; grande trabalhador na Cruzada dos Militares Espíritas de Porto Alegre; e por muitos anos, Presidente da Sociedade Espírita Allan Kardec, uma das mais antigas do Estado.

Em 1967, ele prestou valioso depoimento sobre a atividade mediúnica de Francisco C. Xavier, publicado no jornal Correio do Povo (Porto Alegre, RS, 13/6/1967), que foi transcrito, posteriormente, no livro Presença de Chico Xavier (Elias Barbosa, Ed. IDE, cap. 8).

Autor Desconhecido. Fonte do texto e imagem: Internet Google.

domingo, 31 de julho de 2016

QUINTÍN LÓPEZ GÓMEZ

1864 - 1934

É impossível falar do movimento espírita espanhol sem dedicar um capítulo a Don Quintín López Gómez: um dos nossos mais fecundos escritores e filósofos mais profundos e, com toda a segurança, um dos homens que mais trabalharam em língua espanhola para a propaganda de nosso ideal.

Nasceu em Calvarrasa de Arriba, província de Salamanca, em 22 de maio de 1864 e passou sua infância mudando, a cada momento, de domicílio, ao acaso de postos a que era destinado seu pai, militar sem graduação; com a circunstância especial de haver tido durantes esses anos mais de quarenta professores diferentes, o que não podia favorecer de modo algum a solidez de sua instrução.

Porém, a vontade vence todos os obstáculos e a do pequeno Quintín era muita e, assim, vemos como aos catorze anos fez suas primeiras armas, no templo das letras, em uma pequena publicação de Huesca, intitulada La Abeja Del Pirineo.

Aos dezessete anos, passou para outra imprensa na qualidade oficial e ali conheceu o visconde Torres Solanot. Sua iniciação espírita data, precisamente, daquela época, sendo seu iniciador Don Alberto Atalaya que lhe deu para ler os Preliminares al Estudio del Espiritismo do Visconde ou um número da Luz del Porvenir. Interessou-se pelo que lia e decidiu assiná-la.

Ingressou na "Sociedad Sertoriana de Estúdios Psicológicos", orgulhoso de sua convicção espiritista e quando essa entidade quis publicar uma revista e nenhuma oficina de Huesca dignou-se a imprimi-la, alguns entusiastas tomaram, por sua conta, e compraram tipos e prensa para isso, ficando o jovem caixista encarregado de todo o trabalho. Compunha, imprimia, dobrava e enviava. Assim nasceu o Íris de Paz, cuja publicação foi interrompida pela epidemia colérica, durante a qual os membros da "Sociedad Sertoriana" se transformaram em enfermeiros benévolos, o que motivou fossem propostos para a cruz de beneficência, que recusaram.

Trabalhou, depois, na Revista de Estúdios Psicológicos de Barcelona, La Revelación de Alicante, El Buen Sentido de Lérida e El Critério Espiritista de Madrid; até que, casado com dona Rosa Coll y Coll, a cujos delicados cuidados deve muito Don Quintín haver saído bem da grave enfermidade que o reteve na cama durante vários meses, começou, em 1883, a publicar Lúmen que, depois, se fundiu com a Revista de Estúdios Psicológicos, até que o proprietário desta decidiu suspendê-la, continuando, então, a publicação de Lúmen por longos anos, até que a enfermidade o obrigou a suspender o que havia sido, sem dúvida alguma, uma das melhores revistas espíritas de língua espanhola.

Quintín López Gómez publicou mais de cinqüenta obras, destacando-se entre elas: El Catolicismo Romano y el Espiritismo, Hágase la Luz, Ante Todo la Verdad, A. B. C. del Espiritismo, Filosofía, La Mediumnidad y sus Misterios, Los Fenómenos Psicométricos, Metafísica Transcendente, Conócete a ti Mismo, Rasgando el Velo, Interesante Para Todos, El Arte de Curar por el Magnetismo, Ciência Magnética, Hipnotismo Filosófico, Prometeo Victorioso, Diccionário de Metapsíquica y Espiritismo, etc.etc.

Em todas essas obras sobressai, além de um profundo conhecimento da Filosofia Espírita e de tudo quanto com nosso ideal se refere, um sentido filosófico tão grande, que bem podemos afirmar que Quintín López com Gonzalo Soriano são duas das mais fortes colunas que teve o Espiritismo.

Septuagenário já, depois de uma longa enfermidade e da cruel intervenção cirúrgica, nosso venerado amigo reinicia seus trabalhos e o "Centro de Estudios Psicológicos de Sabadell" dedicou-lhe uma homenagem à qual se uniu todo o Espiritismo espanhol em uma prova grandiosa de carinho e respeito.

Opinamos, conhecendo-o como o conhecemos, que Quintín López nunca deu por terminado seu trabalho, e nos felicitamos, sinceramente, por ele.

Autor Desconhecido. Fonte do texto e imagem: Internet Google.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

TIMÓTEO

Junto ao espírito Erasto, ele disserta no item 225 de O Livro dos Médiuns, acerca do papel do médium nas comunicações.
Dá-nos "Atos dos Apóstolos" a informação de que ele era filho de uma mulher judia e de pai gentio. Na obra psicografada por Francisco Cândido Xavier, "Paulo e Estevão", contudo, o espírito Emmanuel é pródigo em detalhes a respeito desse a quem Paulo de Tarso chamava de "amado filho na fé".

Quando Paulo chegou a Listra foi à casa de Lóide, recomendado pelo irmão daquela, que residia em Icônio. Viúva de um grego abastado, ela vivia em companhia de sua filha Eunice, também viúva e o neto adolescente de 13 anos.

Recebidos Paulo e Barnabé, com inexcedível carinho, em casa de Lóide, naquela mesma noite o apóstolo tarsense pôde observar a ternura com que o rapazola fazia a leitura dos pergaminhos da Lei de Moisés e dos Livros Sagrados dos Profetas. Ao ouvir falar a respeito de Jesus, Timóteo, inteligente e de generosos sentimentos, demonstrou grande interesse, o que levou Paulo a acariciar lhe a fronte pensativa, várias vezes.

No dia seguinte, o rapaz passou a fazer inúmeras interrogações e, enquanto ele cuidava das cabras, Paulo aproveitou para conversar longamente a respeito da Boa Nova de que era portador. Alguns dias depois, Paulo fundou na cidade o primeiro núcleo do Cristianismo, em humilde casa. O pequeno Timóteo era quem auxiliava em todos os misteres, na recepção dos enfermos e demais necessitados, na ordem, na disciplina.

Em uma das pregações públicas, Timóteo assistiu aterrado o amigo querido ser apedrejado pela população, incitada pelos administradores da pequenina cidade. Desejou intervir, salvando-o, mas prudentemente foi detido por companheiro ponderado que lhe fez ver a inconveniência de se expor, sem nada verdadeiramente poder fazer ante a multidão enfurecida e muito bem conduzida por mentes ardilosas.

No entanto, é ele mesmo que, após acompanhar por vielas extensas, a turba exaltada depositar o corpo do Apóstolo no monturo, distante dos muros de Listra, se aproxima, na sombra da noite para socorrê-lo. Dispensa-lhe os primeiros socorros, buscando água fresca em poço próximo. Depois, banhado em lágrimas, fica ao seu lado, aguardando que desperte do profundo desmaio.

Timóteo, oportunamente, passaria a acompanhar Paulo de Tarso em suas viagens, desejoso de se consagrar ao serviço de Jesus, iluminando o seu coração e a sua inteligência. A caminho da Macedônia, separaram-se ele e Lucas de Paulo, a pedido daquele, tornando a se encontrarem mais tarde.

Para as viagens apostólicas, a fim de evitar as tricas judaicas e eventualmente provocar atritos nas suas tarefas iniciais, Timóteo submeteu-se, a conselho do próprio Paulo, à circuncisão, demonstrando a capacidade de ajustar-se ao que fosse necessário para servir a Jesus.

Timóteo é convidado pelo apóstolo de Tarso a estar com ele, quando da redação das suas famosas epístolas, "cuja essência espiritual provinha da esfera do Cristo", e que não serviram somente para a comunidade para a qual foram escritas, mas à cristandade universal.

Esteve com Paulo em Roma, quando este foi prisioneiro dos romanos. Seguiu-o até a Espanha, junto com Lucas e Demas. Demorou-se mais na região de Tortosa, visitou parte das Gálias, auxiliando na conquista de novos corações para o Cristo e multiplicando os serviços do Evangelho. Afeiçoado a Paulo, Timóteo foi por ele encarregado em mais de uma oportunidade, a levar mensagens para as comunidades cristãs nascentes. Assim, da Espanha partiu para a Ásia, carregado de cartas e recomendações amigas.

Quando Paulo de Tarso retornou a Roma, a pedido de Simão Pedro, escreveria tomado de singulares emoções as últimas disposições ao filho do coração, Timóteo: "Apressa-te a vir ter comigo. (...) Só Lucas está comigo. (...) Quando vieres, traze contigo a capa que deixei em Trôade em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. (...) Apressa-te a vir antes do inverno. (...)"

Roga ainda os seus bons ofícios para que João Marcos venha a Roma, a fim de o auxiliar no serviço apostólico. Lucas é o encarregado de expedir a Epístola e percebe os lúgubres pressentimentos que tomam de assalto o velho Apóstolo.

Em verdade, Timóteo não chegou a rever Paulo na vida física, mas guardou n'alma as suas últimas exortações: "Foge das paixões da juventude, segue a justiça, a fé, a esperança, a caridade e a paz com aqueles que invocam o Senhor com um coração puro.(...)"

"Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que está em Jesus-Cristo; e o que ouviste de mim, diante de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de instruir também a outros.(...)"

"Esforça-te por te apresentares a Deus digno de aprovação, como um operário que não tem de que se envergonhar, que distribui retamente a palavra da verdade. (...)"


Autor Desconhecido. Fonte do texto e imagem: Internet Google.

terça-feira, 31 de maio de 2016

SYLVIO WALTER XAVIER

1915 - 2001

Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 13 de julho de 1915 e desencarnou em 28 de dezembro de 2001 também na cidade do Rio de Janeiro.

Não esqueça de dar um abraço forte no Sylvio - era assim que, muitas vezes o amorável Espírito Bezerra de Menezes terminava suas conversas conosco, através da abençoada mediunidade de Divaldo Pereira Franco. Para nós, tal referência é suficiente para distinguir o querido amigo e irmão que no dia 28 de dezembro regressou ao Plano Espiritual.

Durante muitos anos S. Xavier dirigiu o SEI. Aqui deixou sua marca de refinado pensador espírita. Seus editoriais conseguiam o prodígio da reunião da síntese com a sabedoria, absolutamente fiéis ao pensamento de Kardec.

Humilde, simples, afável, delicado, modesto, solidário, ético, generoso, difícil encontrar tantas virtudes num homem que procurava ser comum, mas viveu espiritamente, de maneira incomum até entre os espíritas.

Sylvio Walter Xavier, general do Exército Brasileiro, oriundo da arma de Artilharia, brilhante oficial de Estado Maior, paraquedista pioneiro, conhecido e respeitado na caserna por encarnar tão esplendidamente o modelo do militar sério, disciplinado, consciente, ao mesmo tempo alegre, otimista, benevolente.

Certa feita, viajamos a Bayeux, na Paraíba, para inaugurar a Casa de Odin Araújo. Lembro-me de seus olhos serenos, fitando-me entre silêncios eloquentes. No aeroporto, de volta ao Rio, comentávamos sobre Odin, que dava o nome à Casa recém-inaugurada. Fora um benfeitor a quem muito devíamos. No entanto, seu nome era desconhecido, até no meio espírita, dizia eu. A voz musical, compassada, de Xavier saiu-lhe do profundo da alma, respondendo ao meu questionamento com outra indagação: "Quem eram os pastores que ofertaram a Jesus a manta simples, ainda na manjedoura? Quantos anônimos, a cada dia, servem na limpeza das ruas, nos hospitais públicos, nos asilos, num aeroporto como este? E são esses, de fato, os imprescindíveis, que garantem o funcionamento do mundo." Jamais esqueci a lição tão exata, dita candidamente, como se fosse a coisa mais clara da vida.

Lembrei-me da cena tocante, ali mesmo, na Paraíba. Um pouco antes da inauguração da Casa, o general entrou em uma das salas de aula.

Servia-se a refeição. Ele então ajeitou as pernas compridas na cadeira pequena. As crianças o olhavam sem compreender. Sua voz amiga disse que era hora de comer, deviam agradecer a Jesus pela bênção do alimento. Sorrindo, como sempre, colocou a cabeça entre as mãos e começou a orar com singeleza e simplicidade. As crianças, vencidas pelo momento mágico, imitaram-no. A prece saiu fácil e ligeira. Logo todos comiam em paz.

Admirei aquele senhor magro, moreno, rosto fino, queixo afilado, um sorriso oferecido preliminarmente a todos. Era o presidente do Lar Fabiano de Cristo, pioneiro da Obra de Fabiano, amigo fiel de Jaime Rolemberg de Lima, a quem conhecera em Sergipe quando serviram juntos por lá, nos tempos terríveis da Segunda Guerra mundial.

Rolemberg era presidente e Xavier era o seu vice, no Lar e na CAPEMI. Construíram juntos uma das maiores empresas do país, na época. Construíram juntos um sonho de amor que, até hoje, sustenta o Lar Fabiano, uma das maiores e mais importantes obras filantrópicas do Brasil. Andaram juntos pelo Sergipe, jovens, começando a vida, atravessando o mar com a canoa, rindo gostosamente, as jovens esposas Elza e Maria José, os filhos pequenos. Quem podia imaginar o que viria pela frente? Uma vez a canoa furou. Rolemberg remava com seus braços acostumados, filho de pescador que era. Xavier e as crianças jogavam de volta ao mar a água que entrava teimosa, querendo levar a todos para o fundo.

Trabalhavam juntos, riam, arriscavam e se divertiam juntos, famílias unidas, Rolemberg dois filhos, Xavier três meninos levados. Nem imaginavam o quanto teriam que remar juntos, a vida inteira, conduzindo um imenso navio, a barca de Fabiano, com milhares de associados, milhares de empregados, milhares de amparados. Mais do que isso, construindo juntos um modelo de empresa que, hoje, é copiado quando a responsabilidade social das instituições começa a ficar mais clara para todos.

Pioneirismo. Xavier conhecia aquilo desde que fora aos Estados Unidos e voltara para implantar os primeiros cursos de paraquedismo militar no Brasil, tornando-se membro da primeira turma de mestres de salto. Perseverança, crença, pertinácia, audácia, desassombro, não se faz um paraquedista sem esses atributos. Para nós, aprendizes de Espiritismo, isto se traduz em coragem, sobretudo em coragem moral, na fé em Deus, na sua bondade e justiça. Na certeza de quem sabe que nada acontece sem a Sua permissão.

Um dia, o filho Adilson, capitão do Exército, desencarnou em terrível acidente. Mais tarde seu filho Amilton, químico brilhante, também desencarnou prematuramente.

Xavier sofreu em silêncio. Os olhos falavam das dores da alma, mas era o primeiro a repetir que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, são provas ou expiações e devem ser aceitas sem murmurações.

Depois que Rolemberg desencarnou, Xavier assumiu a presidência do Lar e da CAPEMI. Posteriormente, com a nova diretoria, voltou à sua posição de vice-presidente. Não muito tempo depois surgiram severas dificuldades para a mantenedora. A empresa imensa passou por grandes problemas.

Xavier assumiu a presidência do Lar numa época de desafios. Não mais os recursos tão disponíveis. Era preciso podar dolorosamente a grande e frondosa árvore, para sobreviver. Era preciso manter fidelidade aos propósitos. Administrador afável, incansável e disciplinado, oferece exemplo e negocia soluções. A grande crise é ultrapassada, permitindo novas semeaduras.

Certo dia conversamos no seu gabinete modesto. Falávamos daqueles anos de dificuldades. Ele explicava, sereno, que a Obra de Fabiano é uma árvore grande. E árvores grandes precisam de boa semente, luz, calor, água e tempo para crescerem e oferecerem boa sombra e bons frutos. Então, completava ele, magistralmente, temos aqui a semente plantada por Fabiano de Cristo, a luz de Bezerra e de inúmeros outros obreiros do Bem, o calor humano que é a própria essência do nosso trabalho com os irmãos necessitados, a água viva do Evangelho de Jesus, incentivando entendimentos e os anos de experiência e de dedicação de tantos bons amigos. Temos aqui uma árvore tão bem plantada, de raízes tão profundas, que sempre será capaz de resistir às piores tempestades. Tenhamos fé e trabalhemos, tudo dará certo. E, com gesto característico, silenciava, passando a mão de leve logo acima da orelha direita, como se procurasse consertar um cabelo rebelde. Era como se estivesse pedindo desculpas por ensinar alguma coisa.

Ajustado o Lar Fabiano, o SEI era a sua grande alegria. Fazia questão de responder pessoalmente a alentada correspondência de todo dia. O SEI nasceu na casa de Rolemberg, por orientação dos Espíritos. Inicialmente era usado o mimeógrafo a álcool. Depois veio a tinta, depois as matrizes, hoje usamos computadores. Chico Xavier traduziu o pensamento de Emmanuel: elaborar um órgão semanal, gratuito, de divulgação doutrinária, com um editorial simples, noticiário do Brasil e do mundo espírita, uma seção de livros, outra de notas comentadas sobre notícias da grande imprensa, exatamente como até hoje. O SEI ficava pronto, endereçado, separado por grupos de endereços e as pilhas se acumulavam. Quinta-feira de manhã todos se reuniam e oravam para que aquelas palavras levassem entendimento, consolo, esperança, alegria, informação correta, orientação segura. Até hoje, o SEI vai todas as semanas para mais de 150 países do mundo. Emocionante e justo o amor de Xavier pelo SEI.

Quando a doença começou a se manifestar, era uma dificuldade de oxigenação do cérebro. Ele resistiu o quanto pôde. Mas foi o primeiro a tomar a iniciativa. Deixou o cargo executivo e passou a ser Conselheiro. Atraiu novos colaboradores para o SEI, preparou a sua saída. Afinal, completou seu tempo entre nós e regressou à Pátria Espiritual.

Fico imaginando a festa no espaço. Fabiano, Bezerra, Rolemberg, Pastorino, O'Reilly, Marechal Mattos, sua mãezinha Rachel, que o introduziu no Espiritismo, seus filhos, todos os patronos das Casas Assistenciais, um coro imenso de ex-amparados pelo Lar Fabiano, cantando hosanas à passagem do humilde trabalhador do Bem. Entre Rolemberg e Bezerra ele caminha com seus olhos líquidos, em direção às estrelas. Parece que ainda ouço sua voz repassada de doçura, falando da grande árvore: os homens, as suas obras, são como as grandes árvores, criadas para a beleza e a utilidade; sua felicidade está nas suas raízes divinas, que lhes permitem resistir às intempéries da vida e que lhes dão força e coragem para, através do trabalho, buscarem o Bem em toda parte.

Dizem os mestres de salto, honrando sua origem americana, follow me! Que possamos seguir seus voos de paraquedista do Bem, na poeira da luz!


Autor Desconhecido. Fonte do texto e imagem: Internet Google.